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Em meados do século XIX, a Londres novecentista fervilhava de actividade. Milhares de pessoas, cavalos, carroças e carruagens cruzavam-se diariamente nas ruas da City, junto às majestosas Casas do Parlamento. Contudo, no dia 10 de Dezembro de 1868, não era este imponente edifício que atraía as atenções dos recém-chegados à capital inglesa, mas sim um estranho engenho montado ali perto, no cruzamento entre três grandes ruas. Sem o saber, a multidão contemplava o nascimento do semáforo rodoviário.

PROMETE... MAS CHEIRA A ESTURRO

Preocupado com o enorme aumento de transeuntes nas ruas londrinas, o engenheiro J.P. Knight idealizou este aparelho para gerir o fluxo de pessoas e veículos nos entroncamentos mais congestionados da capital. Constituído por um poste rotativo instalado no centro do cruzamento, o semáforo regulava manualmente a passagem do trânsito através de braços extensíveis com duas posições, uma para "Parar cavalos e veículos" e outra para "Sigam todos com cuidado". À noite, duas lâmpadas de gás no cimo do poste, uma vermelha, outra verde, desempenhavam o mesmo efeito, um sistema de cores que Knight transpôs dos caminhos-de-ferro, área em que se especializara.

No entanto, passado apenas um mês de funcionamento, o aparelho explodiu devido a uma fuga de gás nas lâmpadas, ferindo gravemente o polícia que o operava. Era o fim desta ideia pioneira... pelo menos para já.

PÁRA, ARRANCA, TRAVA

Mais de 50 anos depois, William Potts deparava-se com um problema em tudo análogo ao de J.P. Knight. A Detroit de 1920, centro nevrálgico da indústria Ford, abarrotava com uma roda-viva de automóveis, carrinhas, camiões e eléctricos, obrigando à presença contínua de sinaleiros. Potts, inspector da polícia local, adaptou o sistema de luzes ferroviárias numa caixa com três lâmpadas em cada face - vermelha, amarela e verde -, capaz de regular o trânsito vindo de quatro direcções simultâneas. Montado no centro dos cruzamentos mais congestionados de Detroit, este novo semáforo, mesmo sem ser completamente automático, revelou-se um êxito; menos de um ano depois, já havia 15 por toda a cidade.

Potts não foi o primeiro a reinventar o semáforo. Só nos EUA, tinham-se registado anteriormente mais de 60 patentes de dispositivos semelhantes, mas foi o seu modelo que vingou na era moderna. Portanto, se praguejar ao apanhar um vermelho, não o faça em vão; pragueje em honra de William Potts.

RETINA DIÁRIA

Hoje, o semáforo é rei e senhor da estrada. Todos os dias, em todo o mundo, é ele que arrebanha automaticamente biliões de veículos em pelotões ao longo das faixas rodoviárias num esforço incansável de gestão do fluxo urbano, sempre a mando do vermelho, verde e amarelo.

Estas cores não foram escolhidas ao acaso. O vermelho, a cor com maior comprimento de onda no espectro de luz visível, é a que menos se dispersa na atmosfera e a que é mais perceptível na nossa retina, motivo pelo qual já a tradição marítima há muito a usava para representar o perigo de colisão. O verde e o amarelo têm também um elevado comprimento de onda e contrastam fortemente entre si.

Este código de cores é praticamente universal, mas as variações de uso são imensas e fascinantes. Ao parar nas ruas das metrópoles do Reino Unido, pode embraiar assim que aparecerem o vermelho e o amarelo ao mesmo tempo, pois o verde virá logo a seguir. Em Alberta, no Canadá, siga com a confiança de ter prioridade em todas as direcções se vir um sinal verde a piscar. E em Tianjin, na China, trave logo que vir uma barra horizontal vermelha - vai ter de esperar que encolha e passe a verde. Mas nada se compara com os sinais para peões de Taipei, capital de Taiwan. Deslumbre-se com um vídeo desta inovação animada, que delicia turistas, moradores e condutores... esperemos que sem acidentes por distracção.


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