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Riscos e rabiscos, letras e números, manchas e cores... fazemos
diariamente do papel A4 pau para toda a obra, desde a mais literária
a um simples esboço de ideias. Mas as dimensões deste formato de
papel, tão enraizado na nossa cultura, têm uma verdadeira razão de
ser, mais especificamente 1,4142.
PROPORÇÃO INFINITA
1,4142 é a razão entre a altura (297 milímetros) e a largura (210
milímetros) de uma folha de papel A4. Aparentemente, este cálculo
nada tem de especial, mas, se executarmos a mesma operação nas
dimensões de uma folha de papel A5, A3, A2 ou A1, obtemos,
arredondando à décima, exactamente o mesmo resultado.
A consequência prática deste fenómeno matemático é simples: dobrando
o papel ao meio, ficamos com uma folha com as dimensões exactas do
formato de papel imediatamente inferior. Experimente! Pegue numa
folha A4 na vertical, dobre-a ao meio e rode-a para a esquerda ou
direita de modo a vê-la em posição vertical. Tem agora em mãos uma
folha no formato A5. Faça o mesmo novamente, e estará a olhar para
uma folha A6. E assim sucessivamente, sempre com a proporção
rigorosamente assegurada.
Em teoria, poderíamos levar a cabo esta redução de tamanho até
valores ínfimos, mas a física não está do nosso lado. Dificilmente
conseguiremos dobrar uma folha mais do que sete vezes, dado que a
espessura e a pressão aumentam exponencialmente.
A RAIZ DA SOLUÇÃO
Os matemáticos não são alheios a fenómenos desta natureza, já que a
busca de proporção absoluta nas relações entre grandezas é das mais
fascinantes no reino dos números. Mas foi só em 1786 que o cientista
Georg Christoph Lichtenberg sugeriu publicamente na Universidade de
Göttingen, na Alemanha, que a aplicação de 1,4142 (a raiz quadrada
do número 2) como razão de um formato de papel garantiria a harmonia
de proporções entre os diferentes tamanhos.
Esta noção foi posteriormente retomada pelo engenheiro alemão Walter
Porstmann, que em 1922 idealizou a proposta na base da norma DIN 476
para formatos de papel. Partindo de um formato com um metro quadrado
(o A0), todos os restantes vão reduzindo proporcionalmente de
dimensões até ao minúsculo A10, pouco mais pequeno do que um selo.
Assim uniformizando todos os tamanhos e reduzindo os respectivos
custos de reprodução, distribuição e armazenamento, a norma granjeou
rapidamente sucesso pela Europa - incluindo Portugal, onde chegou em
1954 -, e é hoje adoptada em todo o mundo, com excepção dos EUA e
Canadá.
A4? NÃO SÓ, HÁ MUITOS MAIS!
O formato A4 é o que mais conhecemos, mas a norma abrange outras
variantes, como B, C ou D, todas intercompatíveis; uma carta em A4
insere-se perfeitamente num envelope B4, que por sua vez cabe como
uma luva num envelope C4 mais volumoso. O equilíbrio da norma é tal
que a própria forma do papel nos incentiva subliminarmente a ordenar
as ideias - nada há de mais propício à inspiração, aliás, do que uma
folha A4 em branco.
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