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Nos tempos que correm, pode parecer-nos pouco prático tirar-se uma fotografia sem que possamos imediatamente ver e manipular a imagem. Para muitos, é um conceito relativamente recente, mas a câmara digital já há longos anos enchia o olho - só o de uma pessoa, mas de espírito visionário.


FOTO ELECTRIZANTE

Admitido nos quadros da Kodak em 1975, o jovem Steven Sasson respondeu com entusiasmo a um desafio que o seu supervisor lhe lançou quase em tom de brincadeira: seria possível construir-se uma câmara portátil exclusivamente baseada em sensores fotoeléctricos?

Seis anos antes, investigadores da AT&T Bell Laboratories tinham inventado o CCD, um pequeno chip capaz de transformar a luz em electrões. Combinando o CCD com mais algumas peças, Sasson deu meses mais tarde por terminada a construção do seu protótipo "portátil" de quase quatro quilos (ilustrado no cabeçalho deste texto). A primeira fotografia do aparelho levou 46 segundos a ser gravada em cassete e transmitida numa televisão, para grande desapontamento da assistente que se ofereceu como modelo, já que mal se reconheceu no ecrã. Sasson, por seu lado, estava boquiaberto.


RESOLUÇÃO COM SOLUÇÃO

Contudo, o potencial deste marco tardou a ser reconhecido, pois a reduzida qualidade das primeiras imagens digitais representava uma desvantagem inaceitável. Por exemplo, a novíssima Sony Mavica, de 1981, captava imagens com cerca de 0,3 megapíxeis. De qualquer forma, era uma resolução revolucionária para a época.

Felizmente, dez anos passados, a capacidade dos sensores decuplicou, como comprovam os 1,3 megapíxeis da Nikon/Kodak DCS-100. Equipada com um disco rígido de 200 MB, o seu preço de quase 15000 euros em 1991 limitava-a, no entanto, apenas aos profissionais apaixonados pelas últimas novidades.


DIGITAL PARA TODOS

Em 1995, surgem o ecrã LCD e os cartões de memória CompactFlash, mas só a partir de 2003, quando as máquinas digitais de qualidade semiprofissional começam a ficar ao alcance do consumidor médio, é que tem autenticamente início a era da fotografia digital de massas, contribuindo para abrir o mundo da criatividade visual a uma nova geração tecnológica.

Com que poderemos contar nos tempos vindouros? Ainda mais megapíxeis? Híbridos de vídeo, fotografia e Internet? Verdadeiros sistemas holográficos? Aconteça o que acontecer, é certo que veremos a tecnologia actual como hoje vemos esta fotografia tirada por uma Casio QV-10, topo de gama em 1996.

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