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As gerações mais recentes talvez não se apercebam desse facto, mas a
criação do formato de áudio MP3 operou uma mudança tão radical na
forma como usufruímos e manipulamos conteúdos sonoros, que nem os
seus inventores poderiam prever tudo o que se iria seguir.
QUEM INVENTOU?
Para se compreender o sucesso do MP3, é preciso ter em conta que,
antes do seu desenvolvimento, o formato WAV era o único método de
armazenamento de música no computador. Apesar da sua excelente
qualidade, apresentava uma estrutura interna pouco eficaz e ocupava
dezenas de megabytes de espaço em disco, o que, no início dos anos
90, era um bem escasso. Tal facto, em conjunto com a incipiente
largura de banda oferecida pelos fornecedores de acesso à Internet
de então, tornava impensável a troca deste tipo de ficheiros entre
computadores via Web.
A solução surgiu com uma equipa de engenheiros alemães do Instituto
Fraunhofer para Circuitos Integrados, encabeçada por Karlheinz
Brandenburg e Dieter Seitzer.
Nos anos 70, Seitzer estudava formas de enviar música através de
linhas telefónicas sem perder a qualidade inicial, mas, como todos
os pioneiros, teve dificuldade em obter financiamento para a sua
investigação. Formou então uma equipa de colegas entusiastas que
paulatinamente elaborou os primeiros algoritmos de compressão de
áudio.
Entre 1987 e 1989, com financiamento comunitário, a investigação
avançou a passos largos, sendo apresentado o algoritmo que viria a
conquistar as certificações ISO e MPEG. Simplificação da designação
técnica MPEG3, a sigla MP3 reuniu o acordo de todos os técnicos para
denominar este novo formato.
MAS COMO FUNCIONA?
Bom, o princípio é simples. Todo e qualquer som é composto por
várias frequências sonoras, mas o ser humano tem uma capacidade
auditiva limitada e consegue ouvir apenas uma fracção deste espectro
(entre 20 Hz e 20 kHz). Ora qual a necessidade de se gastar espaço
na codificação de tudo o resto? Com base nesta ideia, o algoritmo
analisa as ondas sonoras e elimina o excedente de informação,
gerando ficheiros mais pequenos, mas com a mesma qualidade aparente.
O primeiro programa de reprodução de ficheiros MP3 foi criado em
1997, nos laboratórios da Advanced Media Products. Baptizado de AMP
MP3 Playback Engine, foi disponibilizado em código livre, permitindo
que dois adolescentes, Justin Frankel e Dmitry Boldyrev, mais tarde
o integrassem numa interface Windows. Assim nasceu o Winamp.
A MASSIFICAÇÃO
Mas há ainda outro nome fundamental - Shawn Fanning. A história do
MP3 não seria a mesma sem ele. Com apenas 19 anos, idealizou um
programa que facilitava a busca de músicas em MP3 na Internet.
Chamado Napster, pode considerar-se uma das últimas revoluções da
história da música, pois, proporcionando acesso rápido, fácil e
completamente gratuito a milhares de temas, representava o sonho de
todos os consumidores.
Embora se tenha entretanto reformulado, o abalo provocado pelo
Napster nas fundações da indústria musical foi tão forte que ainda
hoje se podem sentir os seus efeitos.
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