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Equilíbrio frágil

Em finais do século XIX, a Europa fervilha de tensão política. Como primeiro-ministro da Prússia, poderoso estado alemão independente, Otto von Bismarck alimenta o sonho de uma supremacia germânica unificada e considera que um conflito com a França seria o meio ideal para alcançar esse objectivo. Contudo, Guilherme I, rei da Prússia, opõe-se a esta intervenção armada.

Mas Bismarck é audacioso e perspicaz. Quando lhe chega às mãos um telegrama em que se relata um pequeno acidente diplomático entre Guilherme e um embaixador francês, Bismarck altera o texto da mensagem, dando a entender que o rei da Prússia cortara todas as relações com o embaixador – e, consequentemente, com toda a nação francesa.


Uma ajuda inesperada

Embora Bismarck estivesse confiante de ter acabado de lançar “um pano vermelho à frente do touro gaulês”, terá sido um facto inesperado que verdadeiramente desencadeou a ira francesa. A versão alemã do telegrama mencionava que o rei Guilherme falara com o embaixador francês por meio do seu “adjutant”, ou seja, o seu fiel ajudante-de-campo. No entanto, quando distribuída por Paris, a tradução do documento manteve ingenuamente a palavra “adjutant”, que, no contexto da hierarquia militar francesa da época, equivaleria a pouco mais do que um primeiro-sargento.

A reacção não se fez esperar. Aos olhos da França, Guilherme I não só rompera todos os laços políticos com o embaixador francês, como nem sequer se dignara a informá-lo pessoalmente desse facto, limitando-se a transmitir a mensagem através de um simples subalterno de graduação muito inferior à exigida. Uma quebra de protocolo tão grave era imperdoável, e Bismarck tinha finalmente a sua guerra – com a fortíssima ajuda providencial de um erro de tradução.

 

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