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Se neste exacto momento a ingratidão tivesse um nome, o seu estaria certamente à cabeça. Não é de forma alguma uma falta ao seu respeito, mas a simples constatação de uma realidade que aliás abrange todos e cada um de nós. Afinal, quando foi a última vez que agradeceu à pequeníssima peça que lhe permite ver televisão, ouvir música na aparelhagem, falar ao telemóvel, usar o microondas ou até mesmo ligar o motor do carro? Uma peça a que o seu computador, toda a Internet e este próprio artigo devem a sua existência.

A TIRANIA DOS NÚMEROS

Idealizar e lançar ao mundo um dispositivo que carregue com toda a tecnologia moderna às costas seria o sonho multimilionário de qualquer inventor e empreendedor. Mas, para Jack Kilby e Robert Noyce, não passou simplesmente de um problema que exigia uma solução.

Em 1958, praticamente sozinho nos laboratórios da Texas Instruments, Kilby estava há semanas mergulhado em resmas de documentação sobre o grande desafio tecnológico da época: reduzir ao mínimo o tamanho cada vez mais desmesurado dos circuitos de transístores.

Dez anos antes, o transístor tinha aberto caminhos revolucionários na electrónica, mas chegara a um ponto de impasse. Quanto mais complexo o computador, mais transístores e componentes eram necessários, o que implicava maiores dimensões, mais mão-de-obra, mais custos e mais probabilidades de falha. As limitações eram impiedosas.

Quando Jack Kilby foi contratado pela Texas Instruments, a empresa já estava apostada na teoria de um modelo de placas de transístores que se encaixariam como um puzzle de modo a minimizar fios e cabos. Kilby não via grande potencial nesta abordagem, mas, como recém-chegado, dificilmente conseguiria fazer valer a sua opinião. Por outro lado, como ainda não tinha direito a férias, podia aproveitar o mês de Julho para tentar demonstrar uma teoria alternativa sem ser incomodado.

UM MONÓLITO À FRENTE DO SEU TEMPO

Seria possível interligar quantidades exponencialmente grandes de componentes em espaços exponencialmente pequenos? Para os peritos, não. Para Kilby, que não sabia dos obstáculos com que os seus colegas se tinham deparado, tudo era viável. Se o problema estava nas diferenças de material entre os componentes, porque não fabricá-los todos com o mesmo material semicondutor? A ideia tinha pernas para andar, pois o germânio, uma das matérias-primas usadas na empresa, era um bom candidato.

No dia 12 de Setembro, paira a expectativa no ar. Diante dos seus superiores, Kilby está prestes a fazer passar corrente eléctrica no seu pequeno "monólito" rudimentar de germânio. Liga-se electricidade... e instantaneamente o osciloscópio regista um sinal contínuo, prova de um circuito fechado! Eis que, naquele preciso momento, nascia o microchip.

Alguns meses depois, a cerca de 3000 Km de distância, na empresa que fundara na Califórnia, o engenheiro Robert Noyce chegava sozinho a uma conclusão semelhante, mas imaginou uma estrutura de silicone que, sem o saber, complementava a descoberta de Kilby. Desconhecedores um do outro, os dois investigadores tinham em conjunto inventado o circuito integrado.

Porém, apesar de visionários, nenhum deles seria capaz de imaginar até que ponto chegaria a miniaturização deste invento. Num microchip com o tamanho de uma unha, há dezenas de milhões de transístores, dispostos com mais complexidade do que um mapa rodoviário de toda a Europa. E já se fazem testes com transístores tão pequenos como um único átomo! Este fascinante vídeo dá-lhe apenas uma amostra da nanotecnologia que está para vir.



Rita Armando Costa [2008-10-28 14:32:00]
Só para dizer que este senhor Kilby também inventou a máquina de calcular e os primeiros relógios digitais.
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