SUBSCREVER REMOVER
Sabia que o SMS ganhou vida numa sopa de letras?
Sabia que o seu provável local de trabalho foi criado para seu bem-estar?
Sabia que a sigla "WWW" esteve quase a não fazer parte do seu vocabulário?
Sabia que o vencedor de uma guerra pode decidir-se numa questão de 60 minutos?
Sabia que pouco faltou para hoje trazer florins na sua carteira?
Sabia que nem sempre uma grande afronta é um insulto?
Sabia que o único pecado do Assistente do Office foi tentar ser útil?
Sabia que tudo o que está a fazer agora depende de uma peça mais fina do que um cabelo?
Sabia que um dos mais famosos logótipos do mundo custou 35 dólares?
Sabia que há meio século Michael Phelps teria de partilhar uma das suas medalhas?

ARQUIVO



1997-2007. Aqui jaz um pedaço de arame.

Simpático, bonacheirão e cheio de energia, prestava-se a ajudar qualquer pessoa vinte e quatro horas por dia, fosse qual fosse a circunstância, sempre sobre a sua especialidade: o Microsoft Office. O seu nome era Clippit, mas todos o conheciam por Clipe, Clipezinho, Assistente, Bonequito, Palhaço, Palermice da Treta, Estupidez Irritante, Porcaria do Caraças ou simplesmente Grande Filho da #&$%! Mas porquê tanto ódio?

OBRA DO DEMO...?

"Parece que está a tentar escrever uma carta. Precisa de ajuda?", exclamava alegremente o Clipe perante a surpresa dos primeiros utilizadores do Office 97. Não, por acaso até nem era uma carta, era um memorando interno. E eu não estava a "tentar"; ia mesmo escrevê-lo se não fosses tu a interromper. Mas, já agora, diz lá então como é que podias ajudar se fosse uma carta? Ah, mudavas a formatação toda da página para ficar igual a uma carta? E punhas logo os estilos que pensas que são certinhos? E se eu os quisesse mudar? Hmm, assim facilmente não dá? Bom, então se eu depois precisar de uma carta, faço-a do zero. Agora, vai-te lá embora e não me incomodes. "O Word proporciona vários modelos de memorandos atraentes..." Ahhhh! Não quero saber de modelos, quero escrever eu. Desaparece e deixa-me escrever os tópicos do texto! Pronto, o primeiro já está, vamos ao segun... "Parece que está a tentar escrever uma carta".

...OU DEMO DE UMA GRANDE OBRA?

Cinco anos antes, nos laboratórios da Microsoft Research, a reacção era diametralmente oposta. Reinavam sorrisos entre os diversos colaboradores da demonstração interna de um dos projectos em desenvolvimento, satisfeitos com a espantosa inteligência do sistema que tinham sido contratados para testar. O seu nome era Lumiere.

Atrás dos vidros de observação, também os investigadores se sentiam genuinamente felizes. O Lumiere iria deitar por terra as barreiras entre utilizador e computador, pois, observando a acção ou inacção de cada pessoa ao trabalhar com um determinado programa, era capaz de identificar os pontos em que essa pessoa sentia mais dificuldade ou indecisão e apresentar um conjunto de sugestões adequadas. Estas apareciam em pequenas janelas que não chamavam demasiado a atenção e desapareciam após algum tempo se não fossem usadas, até pedindo desculpa pelo incómodo. Além disso, não só o utilizador podia facilmente definir a frequência destas sugestões, como o próprio Lumiere aprendia conforme o utilizador as seguisse ou não. E mais! Ao fechar-se um programa, o sistema podia mesmo apresentar um tutorial personalizado e pronto a imprimir sobre as áreas em que o utilizador mais tinha demonstrado insegurança. Era potencialmente o tutor perfeito.

Ajuda contextual com auto-aprendizagem? Controlo sobre a frequência das sugestões? Janelas que não estorvam e são tão bem educadas que até pedem desculpa pela interrupção? Nada disso fazia parte do Assistente do Office 97, a primeira grande implementação do projecto Lumiere num produto da Microsoft. O eterno sorriso do Clipe aumentava ainda mais a frustração sempre que o trabalho dos utilizadores era interrompido com recomendações inúteis, mas o pior estava para descobrir: não havia maneira simples de se desactivar permanentemente o Assistente.

AFINAL, NÃO SE FEZ LUZ

Num só golpe, o Lumiere acabara de conhecer o amargo sabor do corporativismo. A sua implementação no Office tinha sido fortemente truncada e subjugada às pressões de vários departamentos da Microsoft, que optaram pela presença fixa e constantemente animada do Clipe e demais Assistentes. O cinismo da multinacional chegou ainda mais longe quando, anos mais tarde, em resposta à ira dos utilizadores, fez da possibilidade de se desactivar o Clipe uma das grandes vantagens amplamente publicitadas do Office XP.

Hoje, o Office 2007 já erradicou por completo o Assistente, mas há quem ainda o relembre com nostalgia. Afinal, apesar dos seus lapsos, muitos foram os trabalhos, artigos e teses que se escreveram até altas horas da madrugada na companhia atenta do Clipe ou dos seus amigos. Não serão assim tantos esses trabalhos, mas sem dúvida mais do que os que tenham sido criados com uma das maiores catástrofes de usabilidade na história da Microsoft: o Bob, um projecto de 1995 que tentou substituir todo o Windows com um desenho animado interactivo, repleto de personagens bizarras, sugestões intermináveis e lentidão exasperante. Conheça esta atrocidade em dois minutos e veja do que se safou com o simpático Clipe.



Ruben Allen [2008-11-10 10:31:00]
Lembro-me que para mim era algo deveras fascinante nessa altura, nunca me ajudou em nada, mas gostava da companhia dele.
Rodolfo Dias [2008-11-05 11:31:00]
Apesar de muito novo ainda me lembro dos maravilhosos assistentes do Office aos quais muito "mexi" para ver todas as animações que eles tinham! Recordo me perfeitamente a partir do momento em que tive o meu primeiro PC. Enfim, bons velhos tempos...
Vitor Seabra [2008-11-05 09:48:00]
Eu penso que a intenção de criar estas personagens foi a melhor, no entanto quando eu estava concentrado em algum trabalho mais "pesado" a minha vontade era a de enviar todos os "intrometidos" assistentes para a lua, mas é certo que tb deixaram algumas saudades.
Júlio Magalhães [2008-11-04 17:48:00]
De facto acaba por me devolver à memória, de forma algo nostálgica, os trabalhos que fazia para a faculdade. Por momentos distraía-me a testar os vários bonecos provocando-lhes diversos estímulos para ver como cada um reagia às mesmas situações. Acabava por servir como descompressor numa madrugada de trabalho árduo..
Excelente Artigo
Maria João [2008-11-04 17:30:00]
Era mesmo irritante! Nos meus trabalhos para a faculdade durante as longas madrugadas acabava por desistir do word e abria o notepad. Só assim conseguia sentir tranquilidade para conseguir escrever e explanar à vontade. Realmente só a Microsoft para conseguir irritar tanto as pessoas... Relativamente ao Bob não conhecia tamanha estupidez. Artigo muito bom! Parabéns!
César Martins [2008-11-04 16:58:00]
Em alguma ocasiões era um bocado chato, mas o office sem esta componente não é o mesmo.
Francisco [2008-11-04 16:48:00]
Sim, lembro-me do cãozito. Era mesmo irritante...
Estou a programar agora algo parecido para um cliente. Não é assim tão dificil...
Aníbal Costa [2008-11-04 16:36:00]
Por acaso, tenho muito boas recordações de um trabalho que fiz para a faculdade com o gato (Trinks, ou Tinks, já não me lembro) sempre a olhar. Começava o gato a ronronar e lá me vinha o sono. Bons tempos,.,
Dicionário Digital - Todos os direitos reservados Webdesign by MAXIDEIA.COM
 
Sitetree