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Sabia que o SMS ganhou vida numa sopa de letras?
Sabia que o seu provável local de trabalho foi criado para seu bem-estar?
Sabia que a sigla "WWW" esteve quase a não fazer parte do seu vocabulário?
Sabia que o vencedor de uma guerra pode decidir-se numa questão de 60 minutos?
Sabia que pouco faltou para hoje trazer florins na sua carteira?
Sabia que nem sempre uma grande afronta é um insulto?
Sabia que o único pecado do Assistente do Office foi tentar ser útil?
Sabia que tudo o que está a fazer agora depende de uma peça mais fina do que um cabelo?
Sabia que um dos mais famosos logótipos do mundo custou 35 dólares?
Sabia que há meio século Michael Phelps teria de partilhar uma das suas medalhas?

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"Portanto, para irem ao Google, basta escreverem moi.google.com".

Ninguém levanta o sobrolho, ninguém se ri à socapa, ninguém comenta com o colega do lado a incompetência da professora. Afinal, é preciso ser-se muito ignorante para afirmar que os endereços da Internet começam por "moi". Mas todos os alunos mantêm-se serenos e apontam as palavras da docente. Hoje, nesta aula de Introdução à Informática, em Março de 2009, as crianças estão a aprender a navegar na Mina de Informação (MOI), o nome com que há 20 anos um jovem cientista baptizou aquela que viria a ser a rede digital que mais revolucionaria o mundo. Ou será que não?

Esta sala de aula não existe — pelo menos na nossa realidade, onde convivemos diariamente com a World Wide Web. Mas se o investigador britânico Tim Berners-Lee levasse avante a sua primeira escolha, a "grande teia" não existiria tal como a conhecemos. Continuaria a fazer inevitavelmente parte das nossas vidas, mas seria uma "grande mina".

A MINA DOS TEUS SONHOS

Março de 1989. Ao som do rápido matraquear das teclas, Berners-Lee nem repara no ronco impaciente do estômago a clamar pelo almoço, tão mergulhado está o seu pensamento no ecrã cinzento diante de si. Após semanas de investigação documental, o seu trabalho está prestes a passar da teoria à prática — já se imagina a conseguir criar a primeira página na Internet com hiperligações, a navegar através dessas hiperligações e a aceder a essa página com um sistema universal. E até já idealizou nomes para cada um dos protocolos que irá programar para poder executar estas acções: a Linguagem de Marcação de Hipertexto (HTML) vai servir para criar a página; o Protocolo de Transferência de Hipertexto (HTTP) possibilitará a navegação entre hiperligações; e o Localizador Universal de Recursos (URL) vai permitir encontrar a página na vastidão da Internet.

Mas qual o nome a dar a todo este sistema pioneiro, capaz de interligar de forma global, intuitiva e completamente harmoniosa todas e quaisquer páginas de informação, seja qual for o local em que se encontrem na Internet? Pensativo, o cientista pára de teclar e, pela primeira vez durante várias horas, desvia o olhar do monitor preto. Se a ideia é criar um gigantesco repositório de informação acessível a todos, porque não chamar-lhe "Malha de Informação" ou até mesmo "Mina de Informação"? É isso mesmo, uma mina de conteúdos, uma preciosa jazida de conhecimento. Pronto, está escolhido!

O CERN DA QUESTÃO

Mas Tim Berners-Lee acaba por cair em si. A paisagem franco-suíça, visível através das grandes janelas do Laboratório Europeu de Física de Partículas, onde trabalha, relembra-lhe um pormenor linguístico crucial. Ao abreviar a designação inglesa "Mine of Information", o cientista terá de apresentar o seu projecto à administração com a sigla "MOI", ou seja, a palavra "eu" em francês. Se usar "The Information Mine", a abreviação será ainda pior: "TIM", o seu próprio primeiro nome! Marcas fatais de narcisismo que deitariam por terra o financiamento do projecto, já pouco convincente à partida, pois o CERN não vê grande interesse em sistemas de hipertexto na Internet. E Berners-Lee está ciente de que inventar é fácil; obter apoios, financiamento e recursos humanos perante a rigidez orçamental da instituição... isso sim, é o verdadeiro obstáculo.

Portanto, o nome terá de ser outro. Então qual é a essência do sistema? O que motivou a sua criação? A mente do cientista recua dez anos... Há muito que se sentia frustrado com a enorme quantidade de informação académica tão dispersa no CERN. Diferentes investigadores de diferentes países traziam os seus próprios computadores e programas, frequentemente incompatíveis entre si. A tão apregoada Internet multiplicava-se em complexos servidores de Telnet, Usenet, FTP e Gopher, que não eram interoperáveis. Não haveria maneira de integrar todos estes sistemas de informação num único sistema global, completamente interligado, sem núcleo central, sem limites de crescimento, facilmente visualizável e ainda mais facilmente editável? Uma teia de informação à escala mundial? Uma Web?

Estava decidido. Nascia então o conceito da World Wide Web, mas Tim Berners-Lee ainda precisaria de quase um ano para desenvolver os alicerces da WWW. O primeiro servidor de Web, o primeiro browser, o primeiro editor de HTML e a primeira página na Web tiveram origem no próprio posto de trabalho do cientista. É Natal de 1989, e este visionário descansa, pousa o café, observa os frutos do seu trabalho e pensa no futuro. Seria capaz de imaginar que apenas vinte anos depois a sua página na Web, que tem diante de si, seria a primeira de mais de 100 milhões que catalisariam todo um novo modo de vida à escala mundial? Talvez. Uma visão a que um anúncio televisivo da operadora norte-americana AT&T em 1993, abaixo ilustrado, parece ter ido beber directamente para se consagrar na história como um deslumbrante marco profético da revolução da WWW.



José Coelho [2009-05-01 16:05:00]
Excelente notícia. Desconhecia esse facto. E como surgiu a Arroba? Sabem? Publiquei um artigo sobre isso no meu blog, sobre a origem da palavra Arroba. Aqui partilho com vocês: http://internetparatodos.blogs.sapo.pt/6210.html
Obrigado e continuem o excelente trabalho.
Júlio Magalhães [2009-03-31 01:21:00]
Esclarecido!
Obrigado a todos!

Um abraço
enVide neFelibata [2009-03-23 21:33:00]
Poderia-se praticamente afirmar que o uso do 'www' é desnecessário porque actualmete os browsers partem do principio que quando alguém se refere a 'maxideia.com' se refere na realidade a 'http://www.maxideia.com/', mas tal deve-se ao facto de ser mais comum o utilizador pretender aceder a um website que se localiza na 'www' através do protocólogo 'http'. Poderemos contudo desejar aceder a um website que se localize em 'localhost' e nesses casos torna-se necessário fazer a distinção de local.
ArealDukes [2009-03-23 16:03:00]
Julgo que o www era necessário para saber qual a zona em que nos encontrávamos. Existia e existe os domínios locais, numa rede, pelo que comummente baptizamos de nomedaempresa.local. Assim www veio substituir o "local", e adicionar um prefixo e regras onde não existiam! Penso que será a resposta mais plausível que encontrei, mas comentem!
Vitor Seabra [2009-03-23 12:06:00]
É sempre bom sabermos a origem de coisas tão importantes como mostra este exemplo. O conhecimento é uma poderosa arma e nunca é de mais. Eu pessoalmente desconhecia esta história e por essa razão é que acho os vossos artigos muito interessantes. Parabêns e continuem assim no bom caminho.
António Cardoso [2009-03-21 13:06:00]
Olá a todos. Parabéns pelo artigo. Mais uma vez fica demonstrado que a genialidade não é fortuita mas emana de uma teia de circunstâncias cujo tráfego percorreu um itinerário especial O mais subtil desvio originaria um resultado diferente (melhor ou pior) sendo essa dinâmica, em última análise, o motor daquilo que consideramos, hoje, " futuro".
Tiago Costa [2009-03-21 12:22:00]
Para Júlio Magalhães
Na realidade o WWW é completamente desnecessário. O que realmente necessite colocar é o protocolo + domino

Protocolo: HTTP://
dominio: maxidea.com

Muitas vezes o WWW é um subdominio do dominio principal.
Miguel Gonçalves [2009-03-20 17:55:00]
Mais uma excelente adição ao dicionário digital...
Miguel [2009-03-20 17:48:00]
muito bom o artigo, como sempre, abraço e continuem.
Júlio Magalhães [2009-03-20 15:34:00]
Excelente artigo.
Agora uma dúvida:
Tudo bem que a web tem que ter um nome, mas porquê que em todos os domínios temos que escrever essa sigla? porque não apenas o domínio, qual é a necessidade da existência real e prática dessa sigla?
Obrigado e Parabéns

J.Magalhães
Célia Miranda [2009-03-20 15:20:00]
Artigo interessante e educativo. Obrigada! Gostei muito do link para a primeira página da internet. Como é que resistiu tanto tempo? É mesmo a original? Cumprimentos!
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