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Sabia que o SMS ganhou vida numa sopa de letras?
Sabia que o seu provável local de trabalho foi criado para seu bem-estar?
Sabia que a sigla "WWW" esteve quase a não fazer parte do seu vocabulário?
Sabia que o vencedor de uma guerra pode decidir-se numa questão de 60 minutos?
Sabia que pouco faltou para hoje trazer florins na sua carteira?
Sabia que nem sempre uma grande afronta é um insulto?
Sabia que o único pecado do Assistente do Office foi tentar ser útil?
Sabia que tudo o que está a fazer agora depende de uma peça mais fina do que um cabelo?
Sabia que um dos mais famosos logótipos do mundo custou 35 dólares?
Sabia que há meio século Michael Phelps teria de partilhar uma das suas medalhas?

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Faça uma pausa de alguns instantes no seu trabalho e olhe em volta. Ninguém está a ver? Então chegou o momento de uma experiência cultural!

Endireite-se na cadeira e estenda os braços ao nível do ombro para os dois lados, como se fizesse um "T". Não se esqueça de esticar bem os dedos das mãos. Sente os seus músculos a retesar? Óptimo, pois neste preciso momento, além de estar a promover circulação sanguínea e boa postura, tem entre a sua mão esquerda e a mão direita a medida de toda a força laboral corporativa dos últimos cinquenta anos: a largura média do cubículo.

Pouco mais de um metro e meio? A sério? Mas isso é desumano! Uma "loucura monolítica", aliás, como descreveu o norte-americano Robert Propst em meados dos anos 70, ao deparar com um vasto recinto preenchido de lés a lés com um labirinto geométrico de minúsculos cubos. Era a primeira vez que via a sua invenção aplicada num escritório em grande escala — e nunca imaginou sentir-se tão deprimido.

TRÊS PAREDES CONTRA A BARREIRA DA INEFICÁCIA

Mas o pai do cubículo esteve longe de ser quadrado. Nascido cerca de cinco anos antes, em 1968, era amplo, confortável e flexível, representando o expoente máximo do longo trabalho do jovem designer Robert Propst na empresa de mobiliário Herman Miller. A cargo do departamento de investigação, este inventor considerava que os escritórios da época não promoviam qualquer produtividade e ritmo de trabalho. Enormes, cinzentões e ocupados por filas de mesas praticamente coladas lado a lado, lembravam gigantescas oficinas onde só reinava aprumo e homogeneidade: ninguém falava, ninguém se levantava, ninguém agia além do estritamente necessário. Todas as secretárias estavam rigorosamente compostas e arrumadas antes, durante e após o horário de trabalho. Naquele espaço, os funcionários não pareciam ter rosto nem identidade nem personalização — quando muito, apenas uma pequena foto da família no canto da mesa.

Muito terra-a-terra desde a infância, Propst recorreu à sua própria experiência como inventor para abordar o problema. O que de facto estimula o processo criativo no trabalho? O que optimiza a gestão de tempo de um funcionário? O que motiva um trabalhador a fazer mais? A resposta convergia numa só palavra: comunicação.

BEM-VINDO À CUBICULÂNDIA!

Falar, interagir, discutir, solicitar, espevitar, estar por dentro... era assim que Propst idealizava o fulcro do espírito de equipa numa empresa. Mas, para isso, o próprio espaço de trabalho de cada pessoa tinha de ser redesenhado de raiz. Fora com gavetas e venham prateleiras, para que os documentos estejam sempre à mão! E se havia prateleiras, tinha de haver divisórias verticais, que por sua vez não só conferiam privacidade, como possibilitavam a montagem de quadros para esquematizar ideias. Mas divisórias fixas criariam um ambiente rígido, pelo que se podiam reposicionar e abrir sem dificuldades para comunicar com os colegas. Até facilmente se elevava a secretária para de vez em quando se trabalhar em pé! Era um ambiente destinado a promover energia, dinamismo, saúde, colaboração e, sobretudo, acção. Era o Action Office. Quando um dos colegas de Propst enfeitou o seu novo posto de trabalho com um gorila de plástico, o inventor sorriu. Para ele, naquele momento, o futuro do trabalho corporativo estava traçado.

Mas o futuro tinha outras ideias. Onde Propst via individualidade e bem-estar laboral, as empresas viam poupança de custos. Afinal, com os cubículos, podiam encaixar o dobro dos funcionário no mesmo espaço. Até mesmo o triplo, com cubos de dimensões mínimas. Nascia a selva cubicular, que deitaria por terra o idealismo do inventor — a menina dos seus olhos era agora símbolo de toda a banalidade, massificação e inércia laboral que sempre tentara evitar.

Hoje, o cubículo é parte tão integrante do mundo ocidental que há quem passe mais horas no seu interior do que na sua própria casa. Santuário de concentração para uns, poço de torpor para outros, as suas divisórias modulares estão, contudo, prestes a dar lugar a uma nova era digital no ambiente de trabalho, centrada na produtividade, eficácia e individualidade. É o que preconiza o fascinante vídeo abaixo... para gáudio do espírito pioneiro de Robert Propst.



António Cardoso [2009-05-14 12:51:00]
Artigo muito bom. Oxalá os inevitáveis "Big Brothers" não esmaguem, mais uma vez, as ideias que rompem com a inevitabilidade.
Ernesto [2009-04-30 19:00:00]
Sem dúvida que os cubiculos servem para o nosso bem estar...
como prova disso mesmo, vejam a paz de espírito transbordante presente neste funcionário..
http://www.youtube.com/watch?v=kUw43uclldI&NR=1
Pedro [2009-04-30 11:25:00]
Bastante interessante! Mais uma boa ideia que acabou distorcida por algumas mentes "brilhantes" do sistema corporativo.
Ah! Para que conste - o meu cubiculo só tem uma parede e é redonda...
Sandra F. Carmelita [2009-04-29 22:46:00]
O dilbert é mesmo altamente a satirizar a vida nos cubículos. E vocês sabem disso, se não não usavam o título "bem-vindo à cubiculândia" no meio do texto ;)
Nuno Correia [2009-04-29 22:42:00]
Vá lá, não me posso queixar, o meu cubículo até tem mini-frigorífico. Bom artigo, continuem!
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