Faça uma pausa de alguns instantes no seu trabalho e olhe em volta.
Ninguém está a ver? Então chegou o momento de uma experiência
cultural!
Endireite-se na cadeira e estenda os braços ao nível do ombro para
os dois lados, como se fizesse um "T". Não se esqueça de esticar bem
os dedos das mãos. Sente os seus músculos a retesar? Óptimo, pois
neste preciso momento, além de estar a promover circulação sanguínea
e boa postura, tem entre a sua mão esquerda e a mão direita a medida
de toda a força laboral corporativa dos últimos cinquenta anos: a
largura média do cubículo.
Pouco mais de um metro e meio? A sério? Mas isso é desumano! Uma
"loucura monolítica", aliás, como descreveu o norte-americano Robert
Propst em meados dos anos 70, ao deparar com um vasto recinto
preenchido de lés a lés com um labirinto geométrico de minúsculos
cubos. Era a primeira vez que via a sua invenção aplicada num
escritório em grande escala — e nunca imaginou sentir-se tão
deprimido.
TRÊS PAREDES CONTRA A BARREIRA DA INEFICÁCIA
Mas o pai do cubículo esteve longe de ser quadrado. Nascido cerca de
cinco anos antes, em 1968, era amplo, confortável e flexível,
representando o expoente máximo do longo trabalho do jovem
designer Robert Propst na empresa de mobiliário Herman Miller. A
cargo do departamento de investigação, este inventor considerava que
os escritórios da época não promoviam qualquer produtividade e ritmo
de trabalho. Enormes, cinzentões e ocupados por filas de mesas
praticamente coladas lado a lado, lembravam gigantescas oficinas
onde só reinava aprumo e homogeneidade: ninguém falava, ninguém se
levantava, ninguém agia além do estritamente necessário. Todas as
secretárias estavam rigorosamente compostas e arrumadas antes,
durante e após o horário de trabalho. Naquele espaço, os
funcionários não pareciam ter rosto nem identidade nem
personalização — quando muito, apenas uma pequena foto da família no
canto da mesa.
Muito terra-a-terra desde a infância, Propst recorreu à sua própria
experiência como inventor para abordar o problema. O que de facto
estimula o processo criativo no trabalho? O que optimiza a gestão de
tempo de um funcionário? O que motiva um trabalhador a fazer mais? A
resposta convergia numa só palavra: comunicação.
BEM-VINDO À CUBICULÂNDIA!
Falar, interagir, discutir, solicitar, espevitar, estar por
dentro... era assim que Propst idealizava o fulcro do espírito de
equipa numa empresa. Mas, para isso, o próprio espaço de trabalho de
cada pessoa tinha de ser redesenhado de raiz. Fora com gavetas e
venham prateleiras, para que os documentos estejam sempre à mão! E
se havia prateleiras, tinha de haver divisórias verticais, que por
sua vez não só conferiam privacidade, como possibilitavam a montagem
de quadros para esquematizar ideias. Mas divisórias fixas criariam
um ambiente rígido, pelo que se podiam reposicionar e abrir sem
dificuldades para comunicar com os colegas. Até facilmente se elevava a secretária para de vez em quando se trabalhar em
pé! Era um ambiente destinado a promover
energia, dinamismo, saúde, colaboração e, sobretudo, acção. Era o
Action Office. Quando um dos colegas de Propst enfeitou o seu novo posto
de trabalho com um gorila de plástico, o inventor sorriu. Para ele,
naquele momento, o futuro do trabalho corporativo estava traçado.
Mas o futuro tinha outras ideias. Onde Propst via individualidade e
bem-estar laboral, as empresas viam poupança de custos. Afinal, com
os cubículos, podiam encaixar o dobro dos funcionário no mesmo
espaço. Até mesmo o triplo, com cubos de dimensões mínimas. Nascia a
selva cubicular, que deitaria por terra o idealismo do inventor
— a menina dos seus olhos era agora símbolo de toda a banalidade,
massificação e inércia laboral que sempre tentara evitar.
Hoje, o cubículo é parte tão integrante do mundo ocidental que há
quem passe mais horas no seu interior do que na sua própria casa. Santuário de
concentração para uns, poço de torpor para outros, as suas
divisórias modulares estão, contudo, prestes a dar lugar a uma nova
era digital no ambiente de trabalho, centrada na produtividade,
eficácia e individualidade. É o que preconiza o fascinante vídeo
abaixo... para gáudio do espírito pioneiro de Robert Propst.