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Sabia que o SMS ganhou vida numa sopa de letras?
Sabia que o seu provável local de trabalho foi criado para seu bem-estar?
Sabia que a sigla "WWW" esteve quase a não fazer parte do seu vocabulário?
Sabia que o vencedor de uma guerra pode decidir-se numa questão de 60 minutos?
Sabia que pouco faltou para hoje trazer florins na sua carteira?
Sabia que nem sempre uma grande afronta é um insulto?
Sabia que o único pecado do Assistente do Office foi tentar ser útil?
Sabia que tudo o que está a fazer agora depende de uma peça mais fina do que um cabelo?
Sabia que um dos mais famosos logótipos do mundo custou 35 dólares?
Sabia que há meio século Michael Phelps teria de partilhar uma das suas medalhas?

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Palavras, palavras e mais palavras no meio de frases soltas, sem nexo. "Olá, amigo, tudo bem contigo?". "Já tenho os documentos que o senhor pediu". "O carro avariou e ficou na garagem". "Concordo com a vossa decisão".

Há quase meia-hora que este homem rascunha frases à sorte na sua máquina de escrever. Mas já começa a ver um padrão. E tem 160 caracteres de tamanho.

Friedhelm Hillebrand tira a página A4 da máquina e observa-a de alto a baixo, atentando nas sequências de letras, números, espaços e sinais de pontuação que digitou. Praticamente todas as frases têm menos de uma linha de comprimento e mesmo as mais extensas não ultrapassam as duas linhas. Mas Hillebrand não pode basear-se em linhas; precisa de um número fixo. Na sua mente, o valor final ganha cada vez mais forma até culminar numa decisão. Nesta sua casa em Bona, na Alemanha de meados da década de 80, este engenheiro electrotécnico acaba de definir o número de caracteres a usar no recém-projectado Serviço de Mensagens Curtas (SMS) — e de uma assentada configura os alicerces de toda uma linguagem que a próxima geração usará no dia-a-dia pelo mundo inteiro.

"SUFICIENTE... PERFEITAMENTE SUFICIENTE"

Este pequeno teste tipográfico de Friedhelm Hillebrand não foi um acto isolado, mas sim o tira-teimas prático de meses de discussão no Grupo Especial Móvel (GSM), entidade criada pela administração europeia de correio e telecomunicações para idealizar e desenvolver um sistema digital celular que abrangesse todo o continente. E como era hábito em qualquer projecto europeu, um simples acordo de princípios exigia uma profusão de reuniões para debater resmas de documentação, especificações e protocolos. Já se tinha estipulado que a nova rede móvel teria capacidade para suportar o envio de mensagens de texto no mesmo canal usado para as comunicações de voz, mas quanto mais curto esse texto, melhor. Só que curto até que ponto? Qual era o mínimo de caracteres necessário para comunicar ideias numa única mensagem?

"100!", dizam uns, "250!", argumentavam outros. Para Hillebrand, a resposta estava num meio-termo. Se as SMS iam ser usadas sobretudo pelas operadoras para enviar notificações sobre o estado da rede, o texto seria forçosamente sintético, com frases simples e curtas, como nos postais ou telexes. 160 caracteres chegavam para esse efeito e até sobravam para utilizadores mais avançados que de vez em quando quisessem comunicar por SMS uns com os outros. Porém, nunca Hillebrand seria capaz de imaginar que, vinte anos depois, esse "de vez em quando" seria a febre diária de 2,4 mil milhões de utilizadores de telemóveis no planeta.

TEM UMA NOVA MENSAGEM: "MERRY CHRISTMAS!"

Mas esta cavalgada exponencial de popularidade não arrancou de um dia para o outro. Foi com o texto "Feliz Natal" que em 1992 o inglês Neil Papworth enviou a primeira SMS de sempre, mas nessa altura não só era difícil ou impossível enviar SMS entre diferentes operadoras, como a lentidão de escrita nos teclados dos telemóveis pouco aliciava os utilizadores.

Mas os jovens, verdadeiros impulsionadores das novas tecnologias, depressa aderiram em massa ao SMS, pois, pelo preço de uma chamada, podiam enviar dezenas de mensagens de texto. Além disso, habituados ao linguajar abreviado dos chats da Internet, facilmente encaixavam longos discursos, explicações e até poemas em apenas 160 caracteres. Bastaram poucos anos para que a média mensal de SMS por utilizador disparasse de menos de uma para mais de cem. Hoje, três em quatro pessoas no mundo com telemóvel usam activamente estas mensagens.

A este ritmo, até onde irá chegar o SMS? Várias extensões ao formato original, como o EMS ou o MMS, tentaram substituí-lo, mas a universalidade e simplicidade do SMS deverão mantê-lo na crista da onda cultural durante muitos anos. E que dizer daquela tal barreira da lentidão de escrita no teclado? Também ela começa a cair, como orgulhosamente proclama o vídeo abaixo.



Hugo [2009-06-15 12:26:00]
Nunca o o SMS viveu tamanha "febre". Um fenómeno só equiparável ao das redes sociais. De resto, excelente artigo. Recomendo até uma abordagem às redes sociais no próximo dicionário.

Ah! Viviane, o E-goi é uma plataforma, que de facto, envia SMS publicitários mas não só. Tem também disponível o e-mail, o fax, spots de voz, MMS e redes sociais. Convido-a a dar uma "espreitadela".
António Cardoso [2009-06-13 16:29:00]
Artigo muito interessante. A alteração de padrões de comunicação que o sms está a provocar na geração actual, não será premonitória para as vindouras, no que toca à almejada telepatia na comunicabilidade?
Viviane Ribeiro [2009-06-11 23:28:00]
Tá fixe o artigo, parabéns! Não imagino viver sem o SMS. Mando uns 15 por dia ;) Teve o patrocínio de e-goi? O que é, serve para fazer publicidade por SMS? Cumps,

Viviane
Ana Catarina Freitas [2009-06-11 23:25:00]
Obrigado pela curiosidade. E querem saber mais uma? O som de aviso de SMS dos primeiros Nokias era a sigla "SMS" em código Morse :)
Rui Monteiro [2009-06-11 23:23:00]
Outro bom artigo. Lembro-me bem da grande novidade de se poder enviar texto nos minúsculos ecrãs dos telemóveis da década de 90. Era como se fossem mini-emails. Nunca pensei que a moda pegasse, era muito difícil de escrever, mas a tecnologia surpreendeu. Continuação de bom trabalho!
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